Crônica: A caixinha de perfume


É. Nem todo mundo botava fé no nosso namoro. E talvez nós dois não estivéssemos tão seguros disso no começo – o fato é que agora está mais que claro que eu e você demos certo muito antes de nos darmos conta disso. É como se estivéssemos guardados um para o outro, esperando o momento exato para acontecer, nos tornarmos um casal. Você é um presentinho para a minha vida. O mais fofo e amável de todos.

Como nem tudo é flores, eu aceito a distância física entre nós, e até agradeço a ela por me fazer ver, por meio da saudade, o quanto você faz falta e é importante pra mim. Claro que eu preferiria que ela não existisse, mas pelo bem do meu coração, prefiro olhar o lado bom e sentir a intensidade que ela nos proporciona.

Da última vez que estive com você, fizemos história – assistimos dois jogos da Copa do Mundo no Brasil e vimos o melhor do mundo jogar. É claro, que só de estar ao seu lado a viagem valeria. Mas não posso deixar de notar que ao seu lado eu vivi aventuras e dias inesquecíveis – o que te torna mais presente e indispensável no meu coração e na minha memória.

Como sempre, achei pouco os dias que passei contigo. Te ver todo mês é um privilégio, mas ainda assim, insuficiente para a minha saudade pulsante. Mas nem tudo que vale a pena é fácil, então aceito e conto os dias com toda a felicidade do mundo. Sinto falta do seu cheiro. Ele adquiriu tanto significado pra mim. Se fosse palpável roubaria de você e só te devolveria quando estivesse ao meu lado.

Tive uma ideia na última vez que te vi: você tinha ido trabalhar e eu fui até o seu quarto. Tirei o seu (meu) perfume preferido e o senti. Queria levar comigo, de alguma forma. Se tivesse só um restinho, eu teria sequestrado. Foi então que eu lembrei de algo que poderia servir: A capinha do meu óculos de grau. Como é pra descanso, eu nem uso tanto. O plástico é revestido por dentro e ainda tem o lencinho de limpar lente. Perfeito! Borrifei uns quinze litros de perfume ali dentro.

Quando estava no avião, voltando pra casa, resolvi ler um pouco. Apesar de não gostar, acabei sentando na poltrona do meio, entre dois e estranhos. Abri rapidamente a caixa do óculos e subitamente o ar se encheu de você. Era tanto perfume que eu tive que fechar rápido porque senão até a aeromoça ia sentir o seu cheiro. Qual é, eu tenho ciúmes.

Agora, toda vez que tenho vontade de você, abro a caixinha e puxo ar. Finalmente consegui trazer um pouquinho do meu amor comigo. Aliás, vem logo, porque o cheiro já está ficando suave e você já deve imaginar o que eu quero fazer. Enquanto isso, entre um romance e outro, quando as palavras que leio traduzem o que eu sinto por você, puxo o óculos até à ponta do nariz e cheiro a armação vinho, só pra te sentir por perto. Bobo, mas essencial.


Texto: Lay Karrú


2 comentários:

  1. Que lindo o texto!!! Adoro seu blog! <3

    www.breatheandsmile.com.br se quiser visitar meu canto ficarei muito feliz!


    www.breatheandsmile.com.br se quiser visitar meu canto ficarei muito feliz!

    ResponderExcluir
  2. Adoro seus textos! O blog está lindo Lay, parabéns!

    Beijão
    Agenda Fashion

    ResponderExcluir